Monday, July 25, 2005

Sempre Camões...

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A fermosura desta fresca serra


A fermosura desta fresca serra
E a sombra dos verdes castanheiros,
O manso caminhar destes ribeiros,
Donde toda a tristeza se desterra;

O rouco som do mar, a estranha terra,
O esconder do sol pelos outeiros,
O recolher dos gados derradeiros,
Das nuvens pelo ar a branda guerra;

Enfim, tudo o que a rara Natureza
Com tanta variedade nos of'rece,
Me está, senão te vejo, magoando.

Sem ti, tudo me enjoa e me aborrece;
Sem ti, perpetuamente estou passando
Nas mores alegrias mor tristeza.


Luís de Camões

Sunday, July 10, 2005

Mário Cesariny

lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny
poema

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

Friday, July 01, 2005

Aqui estou nesta madrugada triste...
Sentindo tua falta em mim...
Queria que meu coração parasse...
Sua dor dilacera todo meu ser...

Queria pelo menos uma vez mais...
Sentir teu calor em meu corpo,
Sentir teus lábios nos meus,
Sentir que sou plenamente tua.

Triste ilusão de quem tem que ir embora...
E quer segurar por segundos, entre os dedos,
Uma ventura a que não tem mais direito,
Sorver como por encanto, todo o momento vivido.

Querer transportar para o presente,
Um passado que foi gloria e ternura,
Mas como poderia eu, trazer para mim,
O que nunca mais poderei ter.
...


Ângela Maria Crespo