Thursday, December 07, 2006

Nao sei se isto e amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, cre! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi versos romanticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cantico dos Canticos.

Se e amar-te, nao sei. Nao sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu nao demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu nao sei se e amor. Sera talvez comeco...
Eu nao sei que mudanca a minha alma pressente...
Amor nao sei se o e, mas sei que te estremeco,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha, Clepsydra e poemas dispersos

3 Comments:

Blogger mfc said...

Mas quem é que sabe o que é o Amor?!
... talvez o que se sente!

7:35 PM  
Blogger Jinx said...

E existe?

5:05 PM  
Blogger Amaral said...

Sentir as palavras, compô-las em versos e criar um poema.
Quando o poeta tem a sua musa com ele, torna fácil e terna a mensagem que quer espalhar por todos os corações...

1:04 PM  

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